terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Escolha - Episódio 29

O Segredo

Nos deitamos numa clareira ali perto onde o sol brilhava com intensidade maior do que nos outros lugares, talvez assim conseguíssemos secar um pouco nossas roupas encharcadas.
Não que Daniel usasse muita roupa, usava apenas um short jeans e como todos os outros transmorfos de La Push ele andava sempre sem camisa...
-E então, quer pular de novo?
Eu sorri para ele e respondi:
-Talvez amanhã.
Ele também sorriu comentando:
-Eu vou cobrar.
De repente, olhando para o céu, me perguntei por que ele estava sendo tão legal comigo, afinal, não haviam razões realmente para que ele me desse uma chance.
-Daniel, por que você está sendo tão gentil comigo?
Ele desviou o olhar e respondeu:
-Já disse, você é linda.
-Mas é só por isso?
Ele demorou um momento para responder.
-Bom, não acho que você seja uma ameaça, posso sentir isso.
Me calei por uns instantes, um vento fraco soprou, mas eu não sentia frio, o silêncio nos envolveu como um manto delicado e macio, não era um silêncio constrangedor ou opressor.
-Mas os outros acham que eu sou uma ameaça, pelo menos Brendon.
Ele não disse nada e agora sim o silêncio dele era levemente opressor.
-Não vai dizer nada sobre isso?
-Brendon tem seus motivos.
-Mesmo? Achei que ele apenas me odiasse por eu ser parte vampira.
-E odeia mesmo, mas ele tem boas razões para não gostar de vampiros.
-E que razões seriam essas?
Ele mais uma vez não respondeu.
-O que foi, é um segredo?
Ele apenas assentiu sem dizer mais nada, eu queria saber o que era, precisava saber se realmente haviam motivos para Brendon me odiar tanto quanto parecia, não gostava de usar meu poder, mas estava realmente muito tentada a fazer isso.
No entanto, resolvi não dizer nada ainda, esperei que ele prosseguisse, queria que ele me contasse apenas se quisesse, afinal, todos tem o direito de tomar suas próprias decisões.
Ele se levantou e disse:
-Vamos embora, deixei a moto perto do alto do penhasco, vamos nos transformar para chegar mais rápido.
Eu assenti e ambos fomos para detrás das árvores a fim de não rasgar as roupas com a transformação. Assim que me transformei senti a mente de Daniel se juntando a minha e então começamos a correr na direção em que estava a moto.
Não quer me contar mesmo não é? Perguntei.
É um segredo.
Mas não acha que eu mereço saber? Afinal, ele me odeia, gostaria de saber os motivos...
Ele parou de correr abruptamente e eu parei também, ficando a alguns metros mais longe dele.
Não sei se devia te contar ou mostrar, mas se é o que você quer.
E então ele começou a me mostrar o que ele próprio tinha visto um dia, era uma lembrança. Vi através dos olhos dele o passado recente que ele tinha vivido...
Era um dia nublado. Ele passara o tempo todo com os outros lobos, incluindo um rapaz que eu não reconheci.
É o irmão mais velho de Brendon, Conrad. Daniel comentou, me explicando a imagem.
Assim que a noite chegou, eles foram fazer a matilha como sempre, o seu grupo era constituído por Brendon, Conrad e Daniel.
Os outros tinham ficado na Reserva pois estava acontecendo uma festa de casamento lá e não achamos que justamente naquele noite ia acontecer algo, mas estávamos enganados. Ele explicou, com uma pontada de amargura na voz.
Os três lobos que estavam felizes, conversavam animados sobre a festa que, mais tarde na troca de turnos eles poderiam aproveitar. Foi então que eles sentiram quase ao mesmo tempo um cheiro estranho, um cheiro diferente, era cheiro de vampiros, correram para alcançá-los e logo encontraram o casal de vampiros que andava por ali com os olhos vermelhos como sangue...
Vampiros não podem entrar nas nossas terras, se eles entram, nós os matamos, é a regra. Daniel disse, com uma voz propositalmente neutra.
Vi quando eles tomaram a decisão, Conrad era o maior e mais velho do grupo, por isso, decidiram que enquanto ele cuidasse da vampira, os outros dois liquidariam o vampiro, era melhor pois assim nenhum dos dois poderia escapar.
Foi o que fizeram, Daniel e Brendon atacaram o vampiro enquanto Conrad partia para cima da vampira, apenas depois de acabar com o vampiro, Daniel e Brendon notaram que Conrad estava tendo dificuldade com a vampira, isso pois ela tinha um dom especial como descobriram tarde de mais a vampira era muito mais rápida do qualquer outro que já tivessem enfrentado, seu ataque era muito veloz e antes mesmo que Daniel e Brendon pudessem ir em socorro de Conrad, eles viram que ela o mordia, seus dentes se encavaram no grande lobo castanho, quando finalmente conseguiram despedaçá-la e atirá-la na fogueira que tinham improvisado, já era tarde de mais.
O veneno se espalhava pelo sangue de Conrad enquanto Brendon gritava para que o irmão fosse forte, que ia ficar bem...
Mas ele não ficou, morreu logo em seguida. É por isso que ele odeia você, além de você ser parte vampira, você tem poderes especiais, assim como a vampira que matou Conrad, se não fossem por esses poderes ele ainda estaria vivo. Daniel não disfarçou a amargura e ressentimento que sentia.

Gostaram? Posto o próximo quinta...

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domingo, 22 de novembro de 2009

A Escolha - Episódio 28

O Salto

Na manhã seguinte, enquanto eu caminhava por La Push atrás de Harry que mais uma vez não tinha ido para a escola (dessa vez era por que era sábado), encontrei Daniel, um dos únicos lobos (fora aqueles que conheciam meu pai) que me aceitava.
Ele veio na minha direção com um largo sorriso e perguntou:
-E então, gostando da Reserva?
-Claro.
-E você já teve a chance de pular do penhasco?
Eu arregalei os olhos, por que eu iria querer pular do penhasco?
-Por que eu faria isso?
-Ah, você não vai se machucar, fazemos isso o tempo todo.
-Mesmo?
-Sim.
-E pra que?
-Diversão, me disseram que seu pai adorava.
-Não entendo que diversão possa ter pular de um penhasco...
-Não vai entender mesmo, até experimentar.
Harry me olhou como se se sentisse traído.
-Você não vem?
Eu sorri para ele e ponderei sobre o assunto, como pular de um penhasco poderia ser divertido? Obviamente haveriam poucas chances de eu me ferir, mas ainda assim... Daniel me olhou de um jeito esperançoso. Ele tinha me dado uma chance sem me conhecer, talvez eu devesse confiar nele por isso.
-Harry desculpe, mas eu vou pular de um penhasco.
Harry me encarou com os olhos arregalados e depois saiu correndo de volta para a casa de Sam gritando:
-Pai, pai, Zafrina vai se matar!
Eu ri ao ouvir isso e comecei a caminhar com Daniel.
-Belo sorriso o seu, deveria sorrir mais vezes.
Daniel disse, depois que levou até a sua casa para pegar a sua moto, eu montei na garupa e ambos fomos para o suposto penhasco.
Assim que chegamos, um tempo depois, eu olhei para o penhasco e tive de admitir que ele realmente era muito alto.
-Isso realmente é seguro?
-Não, mas você é transmorfa, quem liga para segurança?
Eu dei de ombros, eu ligava para segurança.
-Está com medo?
-Não.
Foi uma resposta automática, nem mesmo pensei antes de responder, mas talvez estivesse com um pouco de medo.
Nos aproximamos da beira do penhasco e eu olhei para baixo, não tinha medo de altura, mas era realmente estranho ver toda aquela altura e saber que ela não poderia te ferir.
-Está pronta?
Daniel ainda estava sorrindo, ele segurou uma das minhas mãos, e olhando nos meus olhos disse, sem esperar pela minha resposta:
-Quando eu contar três.
Eu respirei fundo e ele começou a contar, sem desviar os olhos de mim.
-Um...
Demos mais um passo, estávamos muito próximos da queda.
-Dois...
Ai meu Deus, eu realmente ia pular?
-TRÊS!
E então, nós pulamos, a mão dele se manteve segurando a minha, a queda era vertiginosa e caíamos numa velocidade imensa. Estranhamente era uma sensação boa que me envolvia e não o medo que eu tinha esperado, era realmente muito bom, era divertido.
Quando batemos na água, o impacto não me feriu como eu achei que faria e eu logo submergi, Daniel ainda segurava a minha mão e saímos da água juntos.
Na praia, ele me olhou e disse:
-E então, o que você achou?
Eu esperei um momento para então sorri e dizer:
-Foi divertido, muito divertido.
Ele sorriu de volta e soltou minha mão.

Espero que tenham gostado! ^.^

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sábado, 21 de novembro de 2009

A Escolha - episódio 27

Briga

Estávamos discutindo. Respondeu Jared, evasivo.
Sobre o que? Perguntou Sam.
Não queremos Zafrina na matilha. Foi a resposta curta e direta de Brendon.
São um bando de idiotas! Disse Quil, rosnando para Brendon.
Ok, e por que não querem Zafrina na matilha? Quais os motivos? Perguntou Sam.
Simplesmente por que ela é parte sanguessuga. Disse Jared.
Como se isso fosse pouco, ela bebe sangue humano! Disse Brendon, alterado.
Brendon era um lobo de pêlo acinzentado que no momento me encarava com raiva incontida.
Eu não bebo sangue humano, nunca bebi. Eu respondi, calmamente.
Ele me encarava ainda com raiva, era como se estivesse se contendo para não me atacar.
Estou mesmo me contendo. Ele disse, em resposta ao meu pensamento.
Pois eu não vou me conter, você já me irritou de mais moleque! Paul disse, indo para cima de Brendon, os dois brigaram por poucos minutos mas Paul parecia estar com vontade de matá-lo.
Parem, agora! Disse Sam, usando a voz de alfa.
Os dois pararam no mesmo instante apesar de continuarem a se olhar com raiva, eu não queria provocar confusão, mas pelo jeito isso não dependia de mim.
Não se culpe Zafrina. Sam disse, respondendo ao que eu tinha pensado.
Agora, me ouçam bem, pois só vou falar uma vez, Zafrina agora é parte da matilha e não me interessa o que você acha Brendon, ela vai ficar até que queira partir, fim de papo. Ao dizer isso, Sam usou a voz de alfa para que todos ouvissem com atenção.
Depois dessa discussão, finalmente começamos a patrulha, Sam nos separou, eu fiquei num grupo constituído por Sam, Embry, Paul, Jared, Quil, Collin, Ryan e Daniel, todos os demais foram mandados para casa. Isso pois provavelmente Sam tinha achado que seria melhor que eu ficasse perto dos que não iriam tentar nada contra mim, com todos os outros tendo ido embora eu estava relativamente segura.
Exatamente. Sam disse, confirmando minha linha de pensamento.
Era estranho com partilhar minha mente com tanta gente...
Você se acostuma. Disse Jared, com ar despreocupado.
E existe algum motivo especial para essa patrulha? Perguntei, tentando me distrair da confusão que eu tinha causado.
Você não causou nada, eles que são um bando de idiotas. Paul disse, quase rosnando as palavras.
E você Daniel, não entendi por que não ficou ao lado de Brendon... Comentou Ryan, com ar maroto.
Bom, ele é um idiota e Zafrina é linda, pensei que isso fosse óbvio. Respondeu Daniel, tranquilamente.
Ela pode ser linda, mas o pai dela é uma fera, literalmente. Paul disse, com ar de brincadeira.
Isso é verdade, se o Jacob descobre que você está interessado na filha dele... Quil comentou, pensando nas possibilidades nada agradáveis.
Eu ainda estou aqui. Eu disse, pois eles já agiam como se eu não estivesse presente.
Desculpe. Disse Daniel, com ar humilde.
Ar humilde? Ouviu isso Daniel? Nunca ouvi ninguém dizer que você era humilde! Comentou Ryan, falando pela primeira vez.
Pois eu sou muito humilde. Daniel disse, fingindo estar ofendido.
Agora ela te chamou de péssimo ator Daniel. Paul disse, rindo ainda mais.
É cara, acho que você não tem chances. Comentou Sam, com ar sério.
Ela já deve ter namorado, não é Zafrina? Perguntou Daniel, parecendo ansioso pela resposta.
Mais ou menos. Eu respondi, me lembrando de Michell e de Michael.
Nossa, ela já tem outros dois pretendentes, melhor entrar na fila! Disse Jared, rindo também.
Que droga, por que eles comentavam tudo o que eu pensava? Meu pai não era tão intrometido assim...
O Jacob deixou de ser intrometido? Então ele deve ter mudado muito! Comentou Quil.
Depois de horas e horas naquela patrulha que mais parecia uma reunião de amigos para conversar, finalmente o nosso turno acabou, como haviam muitos lobos na reserva, era possível nos separar em turnos para que não precisássemos passar todas as noites em claro.
Na minha primeira patrulha com a nova matilha não aconteceu muita coisa, uma briga por parte de um lobo que não queria que eu ficasse e depois alguns momentos de descontração com os lobos que já me aceitavam como parte da matilha.
Mas eu sabia que Brendon ainda não tinha acabado e que provavelmente ele ainda iria me trazer problemas. Naquela noite, assim que voltei para casa (eram mais de 2 da madrugada) eu liguei para casa para saber como tudo estava, quem atendeu foi Juliet.
-Alô?
-Oi Juliet, sou eu, Zafrina.
-Ah Zafrina! Que saudades, quando você volta?
-Eu não sei.
-Ah, Alice está insistindo para que o seu pai vá te buscar logo, está se divertindo?
-Sim, e vocês, como estão?
-Bom, os gêmeos estão parecendo malucos, Michael matou um gato que entrou em casa, mas fora isso até que estão se comportando bem.
Ela falava como se já fosse uma adulta responsável sendo ainda pouco mais que uma criança.
-E você?
-Bom, Esme está me ensinando muita coisa, fomos caçar ontem então eu estou bem... Ah, Alice quer falar com você!
Dizendo isso, ela passou o telefone para Alice, que logo perguntou:
-Como você está? Estão te tratando bem?
-Eu estou bem.
-Hum... Quer que eu vá te resgatar?
-Não Alice, estou bem mesmo, só alguns probleminhas com alguns dos lobos da matilha, mas de resto todos me tratam muito bem.
-Probleminhas? O que eles fizeram?
-Nada de mais, sério.
-Hum... Mas se precisar, é só me ligar que irei te buscar na mesma hora e não me importa o que o insensato do seu pai diga!
-Ok, agora vou desligar pois preciso dormir.
-Está bem, ah, espere um pouco, Nessie que falar com você.
-Ok.
Ela passou o telefone para a minha mãe:
-E então, está se divertindo?
-Claro.
-Estão te tratando bem?
-Sim, estão me tratando muito bem.
-Querida, se quiser, posso falar para o seu pai ir te buscar...
-Não precisa mãe, realmente estou bem.
Conversamos por mais uns minutos e então eu desliguei, me deitei na cama e refleti que realmente estava bem, apesar de Brendon.

Acho que não vou poder postar dois hoje, estou cheia de coisa para fazer...

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A Escolha - Episódio 26

A Patrulha

Rachel (ou seria melhor chamá-la de tia Rachel?) voltou momentos mais tarde e se sentou ao lado de Paul com um olhar de desânimo, ela não estava mais chorando, mas ainda possuía um ar triste.
Paul perguntou a ela:
-E então, o que ele disse?
Com um suspiro ela respondeu:
-Ele disse que eu fico muito tempo fora de casa, que não seria justo deixar Zafrina sozinha, Emily fica em casa o tempo todo...
Paul colocou uma mão no ombro dela comentando:
-Isso é verdade, sempre digo que você trabalha de mais...
-Mas eu poderia ficar mais tempo em casa por ela.
-Eu sei, mas talvez Jacob não quisesse te forçar a fazer isso. Ele disse mais alguma coisa?
-Sim, ele disse que queria que ela conhecesse bem a matilha e a melhor forma seria que eu não ficasse paparicando minha sobrinha o tempo todo, por isso a deixou com Sam...
-Isso faz sentido.
Rachel lançou a ele um olhar fulminante e então, se voltou para mim suavizando o olhar.
-Zafrina, mesmo estando hospedada na casa do Sam, pode aparecer aqui quando quiser, afinal, essa casa também é sua.
Eu dei um sorriso vago sem entender realmente a afirmação, essa casa não era minha, ela pareceu perceber esse meu pensamento pois disse:
-Você não se lembra?
Eu não respondi, do que devia me lembrar?
-Essa era a casa de Billy, meu pai, seu avô.
Olhei ao redor, agora reconhecia vagamente a cabana, era onde meu avô tinha morado assim como meu pai também. Só tinha estado ali uma vez, mas era muito pequena, tinha pouco mais de um ano quando meu pai tinha decidido me apresentar ao meu avô paterno.
Mas de alguma forma a casa parecia exatamente igual, quase o mesmo cheiro, tão sólida quanto na última vez em que eu estivera ali...
Me lembrei do choque do meu pai quando soubera da morte de vovô Billy, a tristeza que eu senti ao vê-lo daquele jeito, eu tinha querido ir com ele, não queria que fosse sozinho para o enterro, mas eu não podia ir, eu levantaria muitas suspeitas se fosse e meu pai não queria que eu visse Billy no caixão, ele me disse que queria que a última imagem que eu tivesse do meu avô fosse com ele sorrindo enquanto íamos embora na minha primeira e última visita, em seus olhos havia uma certa tristeza, e ele dizia "Voltem logo".
Era triste lembrar de tudo isso, mas ainda assim era inevitável. Passei o restante do dia na casa que um dia fora de Billy vendo albúns antigos com tia Rachel, quando já era quase hora do jantar eu voltei para a casa de Sam, Paul veio comigo, isso pois Rachel foi para o seu trabalho, ela era professora na escola da Reserva e dava aulas também no período noturno.
Quando chegamos, o cheiro do jantar nos atingiu e só então eu percebi que estava com fome, depois do jantar, fui para o meu quarto trocar de roupa, precisava de algo velho que não faria falta se fosse rasgado, vesti um shorts jeans curto que eu usava pouco e uma blusa de alças rosa pink, seria melhor se eu pudesse ir já na forma de loba, mas Sam queria que nos juntássemos aos outros para conversar um pouco antes de nos transformarmos e termos que compartilhar nossas mentes, seria a primeira vez que eu teria mais de uma pessoa na minha mente de uma vez.
Saímos de casa juntos, eu Sam e Paul, caminhamos devagar para o lugar onde deveríamos encontrar os outros, olhei para o céu, as estrelas o pontilhavam de uma forma linda e a lua brilhava majestosamente nele.
Tentei me tranquilizar enquanto chegávamos mais perto, logo pudemos ver os outros e então ouvimos vozes alteradas:
-Ela não é uma de nós!
-Agora ela é!
-Ela bebe sangue como um daqueles sanguessugas nojentos!
Pude ver com clareza quem tinha dito a última frase, era Brendom, o mesmo que naquela tarde tinha afastado seu irmão de mim como se eu fosse uma ameaça, Sam assumiu uma expressão séria e Paul apressou o passo, assim que chegamos, todos se calaram, mas Brendom, assim como outros rapazes do grupo me olhavam como se me ameaçassem.
Sam foi quem quebrou aquele silêncio opressor:
-O que estava acontecendo aqui?
Ninguém respondeu e então ele olhou diretamente para Brendom.
-Algo a dizer?
Brendom baixou o olhar sem dizer nada e então Sam olhou para mim:
-Não se preocupe.
E então, olhou para os demais.
-Quero todos transformados e aqui em cinco minutos.
Todos se afastaram se escondendo atrás das árvores e eu fiz o mesmo, depois de me transformar, amarrei as roupas na perna e ouvi a voz de Sam na minha cabeça dizendo:
Agora venham, quero resolver isso agora mesmo.
Outras vozes responderam quase ao mesmo tempo:
Ok, estamos indo.
Em poucos segundos, eu já estava ao lado de Sam, antes de começar a esclarecer a discussão que tínhamos ouvido quando chegamos, ele comentou:
Nossa, Jacob não estava brincando, você é do meu tamanho Zafrina!
Todos os outros lobos se reuniram ao nosso redor, a maioria me encarava, mas evitava ter qualquer pensamento que fosse, então Sam usou sua voz de alfa.
Agora, me digam, o que foi aquilo que vimos quando chegamos?

Desculpem não ter aparecido ontem, é que estou atolada de trabalhos escolares para fazer... Espero que tenham gostado do eps, agora o próximo posto sábado!

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Escolha - Episódio 25

Rachel

Sam e eu voltávamos para a casa dele e então Harry apareceu no caminho, ele olhou para o pai, e num tom sério perguntou:
-Posso brincar com ela? Posso? Posso?
Os olhos dele brilhavam de animação e me olhando, Sam disse:
-O que você acha?
-Por mim tudo bem.
-Você não parece mesmo filha do Jacob, mas se quer isso, podem ir.
Ele se afastou indo para casa e Harry pegou uma das minhas mãos, deixei que ele me guiasse e logo estávamos bem no meio da reserva, ali, haviam muitas crianças da idade de Harry e ele me levou até elas dizendo:
-Essa é a Zafrina, minha nova amiga.
As outras crianças me cercaram, me olhando com curiosidade.
Minutos se passaram com todos eles falando todos ao mesmo tempo, então, um dos rapazes que tinha sido apresentado a mim por Sam se aproximou, ele fazia parte da matilha, seu nome deveria ser Brendon.
Ele se aproximou com um olhar sério, chegando mesmo a me encarar com agressividade, não entendi essa atitude, ele então puxou uma das crianças pelo braço dizendo:
-Venha, está na hora de ir.
Ele me encarava como se me culpasse de ter feito alguma coisa errada, quando ele já estava um pouco longe, ouvi a criança perguntar:
-Por que temos que ir? Quero brincar!
Lançando mais um olhar para mim, Brendon sussurrou:
-Não é seguro.
Apesar da distância eu pude ouvir perfeitamente, mas ainda não entendia por que toda aquela agressividade.
Foi então que uma mulher se aproximou, ela tinha longos cabelos pretos, olhos escuros e uma pele dourada, me lembrava alguém, mas não conseguia me saber quem.
Ela veio sorrindo para onde estávamos e perguntou para Harry:
-E quem é sua nova amiga?
Harry, provavelmente se sentindo importante respondeu:
-O nome dela é Zafrina, é filha do tio Jake e veio passar um tempo conosco.
Ela pareceu confusa ao dizer:
-Filha do Jacob? Do meu Jacob?
-Sim.
Ela olhou atentamente para mim e numa voz triste disse:
-Realmente, tem os olhos dele, o mesmo sorriso...
De repente, Paul já estava ao lado dela com um pacotinho de lenços descartáveis, olhando bem para ela perguntou:
-O que houve?
Então olhou para mim dizendo:
-Ah, então você está ai Zafrina...
Em um segundo, a tristeza dela se transformou em raiva, uma raiva que ela dirigiu a Paul:
-Você sabia! Por que não me contou?!
-Por que não contei o que?
Ele parecia confuso, ela esclareceu, ainda com raiva:
-Por que não me contou que a minha sobrinha estava na reserva? E pior ainda, por que não me contou que ela estava com Sam?
Sobrinha? Ela era minha tia? Olhei diretamente para ela mais uma vez, descobri quem ela me lembrava, meu pai, tinha os mesmos olhos e a cor do cabelo era quase idêntica.
Paul respondeu:
-Desculpe-me, fiz a patrulha de madrugada, estava cansado de mais e quando acordei você não estava mais lá, não consegui te contar...
Ela agora não parecia mais raivosa, voltara a ser triste e agora estava chorando, as crianças apenas observavam sem dizer nada, como se aquilo fosse um espectáculo e nós fossemos a plateia.
-Por que... Ele nem me avisou... Como pode fazer isso... Meu irmão...
Paul olhou para mim e disse:
-Zafrina, venha, vamos para minha casa, todos estão olhando.
Eu assenti e ele conduziu a mulher, cujo nome eu ainda não conhecia para uma cabana ali perto, eu os segui deixando as crianças para trás, Harry apenas acenou e começou a brincar com os outros.
Assim que entramos na cabana, vi fotos do meu pai nas paredes, na maioria delas, ele estava acompanhado por Quil e Embry, embora fossem muito mais novos dava para reconhecê-los, em outras ele aprecia com Billy, meu avô q tinha falecido num acidente de carro a algum tempo atrás, eu me lembrava vagamente dele, mas nas fotos fora fácil reconhecê-lo, adentramos mais na cabana e nos sentamos na cozinha.
A mulher pegou um dos lenços de Paul e enxugou os olhos com delicadeza, então, deu um sorriso fraco dizendo:
-Nem me apresentei, meu nome é Rachel, sou sua tia, deve ter percebido... Apenas não entendo por que ele te deixou com Sam, eu a teria acolhido...
Ela começou a chorar de novo e Paul encostou em seu ombro dizendo:
-Talvez ele tenha esquecido...
A raiva nela mais uma vez sobrepujou a tristeza:
-ESQUECIDO? Meu irmão se esqueceu de mim, é isso que quer dizer?!
-Não, não é isso...
Mais uma vez ela começou a chorar.
-E se ele tiver mesmo esquecido? Vou ligar para ele agora mesmo! Zafrina, tem o número de telefone de onde estão morando agora?
Eu assenti e passei o número, ela foi para outro aposento e Paul se deixou cair na cadeira dizendo:
-Odeio vê-la assim.

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domingo, 15 de novembro de 2009

A Escolha - Episódio 24

A Matilha

Quando amanheceu, o sol entrou pela janela e me despertou, abri os olhos lentamente e demorei um segundo para me lembrar de onde estava e de por que estava ali, demorei outro segundo para me lembrar que era hoje que eu conheceria o restante da matilha. Muitas perguntas surgiram na minha mente ao mesmo tempo: E se eles não gostassem de mim? E se me odiassem? E se eu dissesse alguma coisa que causasse algum problema? E se eu perdesse o controle?
Levei um tempo para me acalmar e fiz isso enquanto ia ao banheiro me trocar, me convenci de que nada daquilo importava, eu tão somente seria eu mesma e eles acabariam me aceitando, agora ou mais tarde.
Saí do quarto e fui para a cozinha, onde Emily já preparava o café da manhã, nem Sam e nem Harry estavam ali. Emily me recebeu com um largo sorriso:
-Finalmente alguém, além de mim, que gosta de acordar cedo nesta casa, Sam e Harry ainda estão dormindo.
Eu sorri de volta e respondi:
-O sol me acordou.
-Ah, esqueci que seu quarto estava sem cortinas, arranjarei isso depois.
-Não se preocupe.
Ela me examinou um pouco e comentou:
-Você realmente não se parece muito com Jacob, me lembra mais aquele vampiro que lê mentes, qual o nome dele mesmo?
-Edward.
-Sim, Edward, você se parece com ele.
-É o que todos dizem.
-Mas talvez você mude um pouco nesse tempo que vai passar aqui, pode ser mais parecida com o seu pai do que pensa, Jacob sempre foi muito divertido.
Eu apenas sorri em resposta, ela me serviu o café da manhã e me deixou um pouco sozinha para ir acordar Sam e Harry, este último veio logo correndo para onde eu estava na mesa com um sorriso alegre dizendo:
-Eu já estava acordado, já estava acordado!
Ele se sentou na cadeira ao meu lado, estava com cara de sono, devia ter acordado agora. Logo em seguida veio Sam que também estava com cara de sono e Emily atrás dele.
-Gosta de madrugar Zafrina?
Sam perguntou, com a voz meio sonolenta.
-O sol me acordou.
-Ah é, o quarto sem cortinas...
-Não se preocupe com isso.
Ele me examinou mais um pouco e comentou:
-Tem certeza de que você é filha do Jacob? Parece educada de mais... Você me lembra o...
Ele não terminou de falar pois Emily o interrompeu completando sua frase:
-Edward, também acho.
E isso, só por que eu não me importava em acordar cedo?! Terminamos o café da manhã e então Harry desceu da cadeira e pegou meu braço dizendo:
-Venha, vamos brincar!
Sam o interrompeu antes que ele tentasse me arrastar para longe dali.
-Desculpe Harry, mas hoje ela vai conhecer a matilha.
Ele fez beicinho, mas soltou minha mão saindo de casa em seguida, Sam sorriu comentando:
-Parece que você conquistou meu filho.
Eu dei de ombros e nós saímos da casa indo em direção a floresta.
-Se conquistar todos os outros da mesma maneira vamos ter algumas brigas, a maioria ainda não teve a impressão.
Depois de alguns minutos de caminhada, vi ao longe um grupo grande de pessoas reunidas, estavam conversando. Reconheci a voz de Paul dizendo:
-Ela é uma gata, nem parece filha do Jacob.
A conversa parou quando eles nos viram, todos olharam para mim ao mesmo tempo e eu me senti um pouco envergonhada, nos aproximamos mais e quando estávamos de frente ao grupo, Sam me apresentou:
-Então, como vocês devem ter reparado, esta é a filha do Jacob, Zafrina.
Paul foi o primeiro a dizer:
-Não falei que ela era uma gata?
Mas os outros, com excessão dos que eu tinha conhecido no dia anterior, não me olhavam com admiração, mas sim com algum temor e receio, alguns até com alguma agressividade.
-Bom, vou apresentá-los a você Zafrina. Da direita para a esquerda estão Embry, Paul, Jared e Quil, estes você conheceu ontem, os outros são Brady, Collin, Ryan, Brendon, Ty, Yan, Leon, Mark, Jack e Daniel.
Enquanto falava cada nome, ia apontando para quem era a pessoa, mas era claro que eu não me lembraria da maioria, o único entre os desconhecidos que me olhava com uma certa receptividade era Daniel, o último que tinha sido apresentado.
Apenas para confirmar, Sam disse:
-A partir de agora, Zafrina fará parte da matilha.
Aquele que parecia ter o nome de Collin perguntou:
-Ela é transmorfa mesmo?
-Sim.
Brady parecia um pouco temeroso e perguntou:
-Ela é igual a Leah?
Paul riu e respondeu no lugar de Sam:
-Não, nem um pouco.
Collin sorriu e disse:
-Então para mim está bom.
Brady concordou com ele:
-Para mim também.
Observei por mais um momento o grande grupo que agora seria a minha matilha, nunca tinha compartilhado minha mente com ninguém que não fosse meu pai ou Edward, seria certamente uma nova experiência.
Sam disse, para finalizar as apresentações:
-Hoje a noite ela vai fazer a patrulha conosco.

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A Escolha - Episódio 23

A ordem

Foi exatamente naquele momento que Emily se juntou a nós na mesa, ela olhou bem para Jared e disse:
-Não vai comer nenhum biscoito?
-Desculpe Emily, odeio biscoitos de chocolate.
Ele respondeu displicentemente pois ainda me olhava como os outros esperando para ver o que eu podia fazer, eu precisava de algo que fosse simples e que não causasse nenhum dano, aquela era a chance perfeita, com um sorriso eu disse:
-Jared, coma um biscoito.
Ele obedeceu maquinalmente com os olhos enevoados, os outros apenas observaram enquanto ele o mastigava.
-O biscoito está delicioso.
Eu disse e ele repetiu com uma voz lenta:
-Sim, delicioso...
-Agora, termine de comer e depois não vai se lembrar de nada do que aconteceu nos últimos cinco minutos.
Ele mastigou por ainda alguns segundos e então, foi como se o seu olhar mudasse mais uma vez antes de voltar ao normal, com um sorriso, ele perguntou:
-E então, não vai nos mostrar o que pode fazer Zafrina?
Todos os outros olharam para ele assustados e depois para mim, Paul disse:
-Incrível, qualquer coisa que você diga será obedecida?
-Sim, para qualquer um, menos para a Bella que tem sua barreira mental.
Jared mais uma vez falou, parecendo confuso:
-Como assim incrível, ela nem fez nada...
Paul olhou para ele com um largo sorriso e disse:
-Fez sim.
-Mas eu não vi nada.
-Isso por que o que ela fez, fez com você.
-Como assim? O que eu fiz?
Quil olhou para ele com um ar dramático e disse:
-Você nunca vai saber.
Jared estava assustado com a perspectiva de ter feito qualquer coisa embaraçosa, mas então pareceu perceber algo e disse:
-Que gosto de chocolate é esse na minha boca?
Todos os outros riram, menos Emily, que disse:
-Você não fez nada de mais, não se preocupe.
Embry me olhou como se estivesse com planos diabólicos na cabeça e disse:
-Podemos nos divertir muito com o seu poder...
Eu não sorri de volta, assumi o ar mais sério que podia e respondi:
-Não, não gosto de usá-lo.
Sam parecia confuso com a minha afirmação e perguntou:
-Por que?
Com um suspiro eu expliquei:
-Uma vez, perdi o controle e disse para um garoto desaparecer, não foi proposital entendam, mas ele realmente desapareceu, só conseguimos encontrolá-lo com os poderes de Alice, se não fosse por isso, ele estaria desaparecido até hoje... Meu dom também é uma maldição.
Só quando ouviram isso é que eles passaram a entender que meu poder não podia ser realmente controlado, qualquer coisa que eu dissesse poderia se tornar uma ordem, mesmo que eu não quisesse. Ninguém disse nada por uns momentos, cada um pensando em coisas diferentes, provavelmente eles ficariam um pouco temerosos a meu respeito.
Quem quebrou o silêncio foi Sam.
-Não importa se suas palavras são ordens, tenho certeza que você vai tentar se controlar e sendo assim, não vejo nenhum motivo para pânico.
Foi como se por encanto os temores de todos se dissipassem, percebi que tinham decidido que meu poder não poderia ser motivo de medo, era como se eles me conhecessem o bastante para confiar em mim, o que era de certa forma estranho pois eles não me conheciam, mas ainda assim, fiquei grata por essa atitude.
Embry comentou:
-De qualquer forma, seja bem vinda Zafrina.
Eu sorri em resposta e Sam completou:
-Hoje você poderá descansar da viagem, mas amanhã vai participar da patrulha conosco e então te apresentarei ao restante da matilha.
Quil comentou:
-Vamos matá-los de curiosidade.
Paul deu um largo sorriso parecendo concordar com o que o outro tinha dito.
-Vou dizer a eles que a Zafrina é uma gata.
Depois disso, a conversa fluiu normalmente com eles comentando todo o tipo de coisa que fariam para atiçar ainda mais a curiosidade dos outros, eu apenas me divertia ouvindo tudo, Harry acabou com o restante dos biscoitos e quando todos foram embora, Emily me mostrou onde eu dormiria.
Foi uma noite tranquila, ouvi quando a matilha se reuniu ao longe, Sam devia estar avisando que eu tinha chegado e talvez os alertasse sobre o meu poder, de qualquer forma, a saudade de casa já me oprimia um pouco, era estranho não ter a minha família ao meu lado, mas como Edward tinha dito, aquela seria uma boa oportunidade para que eu testasse minha capacidade de me controlar sem ajuda.

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